11/101. Wolfwalkers (2020)

101 Filmes com Jade
3 min readMar 10, 2021

Nota: 🍁🍁🍁🍁🍁
Dir.: Tomm Moore & Ross Stewart

Do mesmo diretor de Song of the Sea, nasce mais uma obra-prima injustiçada pelo lobby norte-americano de animação.

Wolfwalkers é a última entrada na Trilogia do Folclore Irlandês — e o mais lucrativo, uma vez que os lançamentos anteriores do estúdio chamaram a atenção de produtores e distribuidores internacionais, incluindo a Apple.

No filme, acompanhamos Bill e Robyn Goodfellowe, pai e filha ingleses que acabaram de se mudar para a cidade de Kilkenny, na Irlanda, território recém-ocupado pelo Império Britânico. Sob as ordens do Lorde Protetor Oliver Cromwell, Bill é encarregado de exterminar os lobos da floresta na fronteira, para que os lenhadores locais possam derrubar as árvores, tornando a terra disponível para a Coroa Britânica.

Num contexto muito acirrado (que não passa batido) entre os invasores da Inglaterra e os invadidos da Irlanda, a colonização contra a tradição; Robyn, uma jovem aprendiz de caçadora, se vê frustrada com a obrigação de se encaixar nos padrões de feminilidade socialmente toleráveis pelo Império. Tudo que ela quer é seguir seu pai na floresta e matar lobos, mas Bill a proíbe, com medo do que o representante da Coroa possa fazer.

Inocente, porém, sem compreensão das consequências, Robyn mesmo assim foge para a floresta.

Onde encontra Mebh, uma jovem wolfwalker — pessoa que, segundo o mito local, pode conversar com lobos, e transformar-se em lobo durante a noite. Ao ver exposto o outro lado da moeda, com os lobos tendo seu lar invadido e destruído pelos humanos, Robyn se encontra no epicentro de uma guerra literal, que ao mesmo tempo simboliza uma guerra metafórica entre o expansionismo inglês e a resistência do espírito irlandês.

Cada sequência neste longa animado é uma cachoeira de cores e movimentos fluidos, belíssimos, que desbancam com facilidade seus dois (excelentes) antecessores, e está definitivamente entre as animações 2D mais lindas do ano. Cada quadro, uma pintura. Cada cena, um wallpaper.

As performances vocais — nas quais não costumamos reparar tanto — se destacam aqui de forma estupenda. Estamos tão acostumados a ver desenhos “falando como desenhos”, que foi chocante logo de cara ver estes desenhos “falando como gente”, por assim dizer. Com destaque para Sean Bean e Honor Kneafsey, que interpretam pai e filha, a jornada narrativa promete tanta empolgação quanto a jornada estética, de encher os olhos (de lágrimas).

A música não deixa a desejar, que ajuda a sustentar um roteiro forte — ainda que não exatamente original, mas com um espírito único o suficiente para ser memorável. Interessantemente, há paralelos flagrantes com O Corcunda de Notre Dame (1996, Wise, Trousdale, Menken e Schwartz), que podem passar despercebidos, mas parecem muito específicos para ser acaso.

Há uma multiplicidade de lentes com as quais se pode enxergar Wolfwalkers e todos os temas que ele aborda. Mas aqui, nos limitamos a propor que seja antes visto com os olhos de uma criança.

Disney sonha.

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Dois amigos a um Brasil de distância que decidiram ver um monte de filme junto / Two friends in opposite sides of Brazil who decided to watch a lotta films 🦉🐋